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Quanto custa (a sério) um site em baixo para um freelancer

O custo de downtime para um freelancer não está na factura. Está nas horas não facturáveis e na avença que deixa de renovar no ano seguinte.

As calculadoras de custo de downtime que andam por aí são todas feitas para outra pessoa. Pedem a facturação anual da empresa, dividem pelas horas do ano, multiplicam pelos minutos de falha e devolvem um número com muitos zeros.

Para um freelancer que gere sites de clientes, esse número não descreve nada. O site que caiu não é teu, a receita perdida não é tua, e mesmo assim o custo existe — está noutro sítio.

Os quatro custos que são mesmo teus.

1. As horas que não facturas

É o custo imediato e o mais fácil de subestimar. Uma falha de meia hora não consome meia hora do teu dia. Consome:

  • o tempo até perceberes o que se passa;
  • o tempo a falar com o alojamento, que é sempre mais do que se prevê;
  • o tempo a responder a mensagens durante a falha;
  • a mensagem de fecho, escrita com cuidado;
  • e o pedaço de tarde que fica estragado a seguir, porque tinhas outra coisa em curso e perdeste o fio.

Duas a três horas, no total, para uma falha média. Se a tua avença de manutenção for de trinta ou quarenta euros por mês, um incidente por trimestre come a avença toda desse trimestre. Não é uma figura de estilo — faz a conta com o teu valor à hora.

2. A avença que não renova

Este é o grande, e não aparece em lado nenhum como custo de downtime porque chega meses depois.

Uma avença de manutenção vive de uma percepção: a de que alguém está a tomar conta daquilo. Cada vez que é o cliente a descobrir uma falha e a avisar-te, essa percepção leva um golpe — não porque a falha seja tua, mas porque a ordem dos acontecimentos diz, sem que ninguém o formule, que ele estava a olhar e tu não.

Três episódios desses e a conversa de renovação passa a ser sobre o preço. Uma avença anual perdida vale muito mais do que todas as horas de todos os incidentes juntos.

3. O trabalho novo que não te chega

Metade do trabalho de um freelancer vem de recomendação. As recomendações descrevem-se em frases curtas: “é bom e nunca dá problemas” ou “é bom, mas o site esteve em baixo um dia e ninguém deu por isso”.

A segunda frase não te tira o cliente. Tira-te os clientes que ele te teria mandado, e nunca vais saber quantos foram.

4. O custo emocional, que é real ainda que não seja contabilístico

A mensagem ao domingo à noite. Ficares a pensar naquele site que já não tocas há meses. A sensação de não saberes se está tudo bem em quinze sítios ao mesmo tempo.

Isto não entra em folha de cálculo nenhuma e é uma das razões principais por que as pessoas montam monitorização. Vale a pena dizê-lo em voz alta em vez de fingir que a decisão é só económica.

A conta que faz sentido para ti.

Esquece a receita perdida do cliente. A conta útil tem duas linhas.

Linha 1 — custo directo por incidente. O teu valor à hora vezes as horas que um incidente consome, na tua experiência. Se nunca mediste, começa por três horas.

Linha 2 — probabilidade de perder a avença. Se um cliente com avença anual sai por causa da acumulação de episódios destes, o custo é a avença anual inteira mais o tempo de o substituir.

Depois compara com o custo de saber primeiro, que é uma ferramenta de monitorização — um custo fixo, pequeno e previsível. Na maioria dos casos a conta fecha ao primeiro incidente evitado por ano.

Não vou pôr aqui um euro por hora nem uma percentagem. Qualquer número que eu escrevesse seria inventado, e este site não tem números inventados. O que vale é fazeres a conta com os teus.

O que muda quando és tu a saber primeiro.

Não é o tempo de falha. É a conversa.

“O site esteve em baixo entre as 14h10 e as 14h38. Foi uma falha do alojamento, já está resolvido e o registo fica no relatório do mês.”

Esta mensagem custa dois minutos a escrever e transforma um incidente numa prova de que a manutenção existe. A alternativa — “deixa ver o que se passou”, escrito depois de ele te avisar — custa o mesmo tempo e produz o efeito contrário.

É a mesma falha, a mesma duração e a mesma causa. Muda a ordem.

Onde é que isto se paga sozinho.

Na renovação. Um cliente que recebe uma página por mês com a disponibilidade e a lista de incidentes tem, ao fim de um ano, doze provas de que aquela linha da factura corresponde a alguma coisa. É o argumento mais barato de produzir e o mais difícil de contestar.

E há um efeito lateral que ninguém antecipa: quando tens o histórico, deixas de discutir. “O site esteve em baixo várias vezes este mês” deixa de ser uma impressão para ser uma pergunta com resposta — esteve uma vez, vinte e seis minutos, no dia 14.

Os limites disto.

Monitorização não reduz o número de falhas. Se o alojamento é mau, continua mau e com registo. O que muda é teres argumento para propor a mudança, com dados em vez de intuição.

Também não elimina o trabalho de resposta. Continuas a ter de resolver, de falar com o alojamento e de escrever ao cliente. O que ganhas é fazê-lo antes de te perguntarem, e isso é uma diferença de posição, não de esforço.

E há um custo do lado de cá: alertas mal configurados são pior do que nenhuns. Um sistema que toca a cada soluço da rede é um sistema que aprendes a ignorar — e no dia em que o alerta for a sério, também o vais ignorar. É por isso que a confirmação antes de avisar não é um detalhe.

E quando o alerta chega, o primeiro passo é sempre o mesmo: perceber se o site está em baixo para todos ou só para ti, que são dois minutos e evita metade dos telefonemas.

A De Olho é monitorização de sites para quem gere sites de clientes, está em construção e abre em 2026. Ainda não temos preços — e não os vamos inventar. Quem entrar na lista de espera fica com o preço de lançamento enquanto a subscrição durar.