Contrato de manutenção de site: escreve o que não está incluído.
Um contrato de manutenção não serve para descrever o trabalho bom — serve para o dia em que alguém discorda. E quase todas as discordâncias vêm da mesma coisa: uma expectativa que nunca foi escrita.
A maior parte das avenças de manutenção em Portugal vive num email de duas linhas e numa factura mensal. Funciona durante muito tempo, e depois deixa de funcionar de uma vez — normalmente num incidente, quando as duas partes descobrem que tinham ideias diferentes sobre o que estava combinado.
Um contrato de manutenção não precisa de ser longo nem escrito em linguagem jurídica. Precisa de responder por escrito a seis perguntas: o que está incluído, o que não está, em quanto tempo respondes, o que garantes sobre disponibilidade, quem paga o quê, e como é que isto acaba.
A secção que mais evita problemas é a das exclusões, e é a que quase toda a gente omite por parecer negativa. É o contrário: uma lista clara do que não está incluído protege as duas partes, e é a diferença entre um pedido fora de âmbito ser uma conversa de dois minutos ou uma discussão de três emails.
// as seis secções
O que um contrato de manutenção precisa de ter.
Por esta ordem. Cada uma resolve uma discussão concreta que já aconteceu a alguém.
- 01
Âmbito — o que está incluído, em lista
Frases curtas e verificáveis: "actualização de core, temas e plugins, uma vez por mês, em dia útil". Evita "manutenção geral do site" e evita "otimização" — nenhuma das duas se consegue confirmar como feita ou não feita.
- 02
Exclusões — o que não está, e o que acontece então
Desenvolvimento novo, conteúdo, campanhas, recuperação de site comprometido, migrações. E a frase que evita metade das discussões: o que está fora do âmbito é orçamentado à parte antes de ser executado.
- 03
Tempo de resposta e horário
Um prazo para responder e um prazo para começar a resolver, que são coisas diferentes. Define o horário em que valem, e o que acontece fora dele. Se não garantes fins-de-semana, escreve que não garantes — é mais seguro do que deixar por dizer.
- 04
Disponibilidade: o que garantes e como se mede
Se prometes uma percentagem, tem de haver um registo independente que a comprove e tem de estar escrito o que conta como indisponibilidade e o que não conta. Sem registo, uma percentagem no contrato é uma frase decorativa.
- 05
Responsabilidades do cliente
Acessos que tem de fornecer e manter, custos de terceiros que são dele, e o compromisso de não instalar plugins nem mexer no site sem avisar. Esta última cláusula parece exagerada até ao dia em que alguém instala uma coisa e o site cai.
- 06
Duração, pagamento e saída
Periodicidade, data de facturação, actualização anual do valor, pré-aviso para terminar de parte a parte, e o que acontece aos acessos e aos backups no fim. Uma saída bem escrita é o que permite terminar uma relação sem estragar a reputação.
// cláusulas que salvam
Quatro linhas que evitam as discussões mais comuns.
Nenhuma delas é agressiva. São todas o resultado de alguém já ter passado por aquilo.
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Janela de manutenção declarada
Uma janela combinada em que o site pode estar em baixo de propósito, e que não conta como incidente. Sem isto, uma migração planeada estraga o número de disponibilidade do mês e obriga a explicações que não deviam ser precisas.
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O que conta como indisponibilidade
O site não responder, sim. O site estar lento, discutível. Uma falha do alojamento contratado pelo cliente, provavelmente não. Definir isto antes evita definir isto durante um incidente, que é o pior momento possível.
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Alterações feitas por terceiros
Se o cliente ou outro fornecedor mexerem no site, o trabalho de corrigir o que daí resultar é orçamentado à parte. Não é uma cláusula punitiva — é a única forma de a avença continuar a fazer sentido.
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Devolução de acessos e dados no fim
Escreve que, ao terminar, entregas acessos, backups e histórico num prazo definido. É a cláusula que te distingue de metade do mercado e é a que dá confiança para assinar.
// o argumento
A cláusula de disponibilidade só vale com registo por trás.
Escrever "garantimos 99,9% de disponibilidade" num contrato é fácil e é o que muita gente faz. O problema aparece no primeiro mês em que alguém pergunta se foi cumprido — porque a resposta honesta, sem registo, é que não se sabe.
Uma percentagem sem medição é pior do que não ter cláusula nenhuma: cria uma obrigação que não consegues provar ter cumprido, e num desacordo isso joga contra ti. 99,9% dá direito a cerca de 43 minutos de falha por mês, e ninguém se lembra de 43 minutos de há cinco semanas.
A ordem certa é a inversa da habitual: primeiro há registo independente, depois escreve-se a percentagem que esse registo consegue comprovar. E o registo tem de durar mais do que o período sobre o qual alguém vai perguntar — que é quase sempre mais do que os três meses das ferramentas gratuitas.
// o que entra
O que a avença deve incluir.
- Actualizações com periodicidade e janela definidas.
- Backups com frequência, retenção e um teste de restauro por ano.
- Vigilância de disponibilidade e do certificado, com o intervalo escrito.
- Tempo de resposta e horário de cobertura.
- Relatório periódico com o que foi feito e o que aconteceu.
// o que fica de fora
E o que não deve entrar, por escrito.
A lista das exclusões protege os dois lados. É a secção que quase toda a gente omite por parecer negativa, e é a que evita mais discussões.
- Funcionalidades novas e alterações de design — orçamento à parte, sempre.
- Conteúdo editorial e tratamento de imagens.
- Recuperação de sites comprometidos, salvo se estiver contratada em separado.
- Migrações de alojamento e mudanças de domínio.
- Custos de terceiros: alojamento, domínio, licenças, serviços de email.
// perguntas
O que nos perguntam sobre isto.
Preciso mesmo de um contrato escrito para uma avença pequena?
Precisas de qualquer coisa escrita — não necessariamente um contrato com aspecto de contrato. Uma página com âmbito, exclusões, tempo de resposta e condições de saída resolve praticamente tudo o que costuma correr mal, e lê-se em dois minutos, o que aumenta a probabilidade de ser mesmo lida.
Devo prometer uma percentagem de disponibilidade?
Só se conseguires prová-la. Sem registo independente e com retenção suficiente, uma percentagem é uma obrigação que não consegues demonstrar ter cumprido — e assumes o risco todo sem ganhar nada com isso. Sem medição, é mais honesto comprometer-te com tempo de resposta, que consegues documentar.
O que faço se o cliente quiser sair a meio?
Cumpres o pré-aviso escrito e entregas tudo — acessos, backups, histórico. Uma saída limpa custa uma tarde e vale mais em reputação do que a retenção forçada de um cliente que já decidiu. E, com alguma frequência, esses clientes voltam.
// a seguir
As outras peças da mesma conversa.
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Quanto cobrar
O método de construir a avença a partir do custo real, do risco assumido e do tempo que não facturas.
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Manutenção de sites: preço
O que está a ser vendido em cada faixa, o que costuma ficar de fora e como comparar duas propostas.
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Manutenção de WordPress
A rotina que mantém um WordPress de pé: actualizações, backups testados, limpeza e vigilância.
O diagnóstico dos erros que apanhas nos sites dos clientes →
A parte da avença que ninguém vê acontecer.
A cláusula de disponibilidade é a única de um contrato de manutenção que precisa de uma ferramenta por trás para valer alguma coisa. A De Olho vai guardar cada verificação e cada incidente desde o primeiro dia, com hora de início e de fim, e o histórico não vai expirar — que é o que permite responder sobre Março quando alguém perguntar em Setembro. Abre em 2026.
Ainda não dá para usar e ainda não temos preços — e não os vamos inventar. Quem estiver na lista de espera sabe primeiro e mantém o preço de lançamento enquanto a subscrição durar.