quanto cobrar por manutenção de site

Quanto cobrar por manutenção de site: constrói o número, não o adivinhes.

Toda a gente quer a tabela. A tabela é o problema — porque o mesmo site custa coisas diferentes a duas pessoas com clientes diferentes. O que se pode dar é o método, e o método dá um número que consegues defender.

// de onde vêm estes números Não fizemos inquérito nenhum ao mercado português e não vamos publicar uma tabela com ar de estudo. As faixas que aparecem mais abaixo são o que se vê praticado e servem para te situares — não são dados medidos e não devem ser usadas como se fossem. O que esta página dá a sério é o método, com a aritmética à vista, para construíres o teu número a partir dos teus custos.

Quase toda a gente chega a este assunto pela pergunta errada: quanto é que os outros cobram. É uma pergunta compreensível e é a que menos ajuda, porque o preço de manutenção não é uma tabela de mercado — é a soma de coisas que só tu sabes. Quantos sites geres, que alojamento usam, quantas vezes por ano rebentam, e o que acontece se um deles estiver em baixo numa sexta-feira à tarde.

A avença de manutenção tem três parcelas e quase toda a gente só factura uma. A primeira é o trabalho previsível: actualizações, backups, verificações. A segunda é o tempo de resposta — estares disponível é um custo mesmo nos meses em que não acontece nada. A terceira é o risco: se assumes que o site fica de pé, estás a vender uma garantia, e garantias têm preço.

O erro clássico é facturar só a primeira parcela, medida em horas, e depois oferecer as outras duas de borla. Funciona até ao mês em que dois clientes têm problemas ao mesmo tempo, e a partir daí a avença deixa de compensar sem ninguém perceber porquê.

// o método

Cinco passos até um número que consegues defender.

Faz isto com números teus, à frente de uma folha de cálculo. Demora vinte minutos e vale mais do que qualquer tabela.

  1. 01

    Escreve o teu valor/hora a sério

    Não é o que gostavas de ganhar — é o que tens de facturar para cobrir o que ganhas, os impostos, a Segurança Social, as ferramentas, as férias e os meses fracos. Quem factura por projecto costuma ter este número na cabeça; quem vai montar avenças precisa dele escrito.

  2. 02

    Mede as horas previsíveis de um mês normal

    Actualizações, verificação de backups, um relatório, meia hora de pedidos pequenos. Cronometra durante dois meses em vez de estimares — a estimativa está sempre abaixo, e é sempre a mesma diferença de trinta a quarenta por cento.

  3. 03

    Acrescenta o custo de estares disponível

    Se o cliente pode escrever-te e esperar resposta no dia, estás a vender disponibilidade. Uma forma honesta de a pôr no preço é somar as horas que reservas por mês e que não podes vender a mais ninguém, mesmo que não as uses.

  4. 04

    Põe o risco em cima, e chama-lhe risco

    Quantas vezes por ano é que um site como este dá problema, e quantas horas custa cada vez? Uma emergência de quatro horas duas vezes por ano são oito horas que têm de estar espalhadas pelos doze meses. Sem esta parcela, cada incidente come o lucro do trimestre.

  5. 05

    Multiplica e arredonda para cima

    Horas previsíveis mais disponibilidade mais risco, vezes o valor/hora. Arredonda para cima, não para baixo: o número que sai desta conta é o mínimo em que não perdes dinheiro, e um mínimo não é um preço.

// as faixas

Onde é que os números costumam cair.

Para te situares depois de fazeres a conta — e só depois. Se o teu número for muito diferente destes, o interessante é perceber porquê, não é mudá-lo.

  • Site institucional pequeno, sem loja

    Meia dúzia de páginas, formulário de contacto, poucas alterações. É a faixa mais baixa e é onde a concorrência de preço é maior. Costuma andar entre as duas e as quatro horas facturáveis por mês, e é aqui que muita gente factura abaixo do custo sem dar por isso.

  • Site com conteúdo activo

    Blog, notícias, alterações mensais, alguma integração. Sobe porque o trabalho previsível sobe e porque cada alteração é uma oportunidade nova de partir alguma coisa. Costuma andar no dobro da faixa anterior.

  • Loja online

    Muda de categoria e não de faixa. Uma loja em baixo perde dinheiro por hora de forma directa e mensurável, e o cliente sabe isso — o que muda a conversa toda. É também onde a exigência de tempo de resposta deixa de ser retórica.

  • Carteira, e não site avulso

    Quinze sites do mesmo tipo custam muito menos do que quinze sites diferentes. Se conseguires padronizar o alojamento, os plugins e o processo, o teu custo por site cai a sério — e é aí que a avença passa a ser um negócio em vez de um favor.

// o argumento

A parte da avença que o cliente nunca vê — e é a que a justifica.

Um cliente que passa três meses sem te pedir nada começa a olhar para a avença e a perguntar pelo que está a pagar. É a conversa mais previsível deste negócio e chega sempre no quarto ou quinto mês.

A resposta que funciona não é a lista de actualizações — é a disponibilidade. O que ele comprou foi o site estar de pé, e o facto de não ter dado por nada é precisamente o produto a funcionar. Só que isso é invisível, e o que é invisível não se factura sem prova.

Por isso é que a vigilância de disponibilidade não é um extra técnico da avença: é o que a torna defensável. Um número de disponibilidade do mês, com os incidentes que houve e quanto tempo duraram, transforma "não fizeste nada" em "isto esteve de pé 99,97% do tempo e as duas vezes que não esteve resolvi eu, antes de te aperceberes".

// o que entra

O que a avença deve incluir.

  • Actualizações de core, temas e plugins, feitas por ti e num dia útil.
  • Backups verificados — e "verificado" quer dizer que já restauraste um.
  • Vigilância de disponibilidade e do certificado, com aviso antes do cliente.
  • Um relatório periódico curto, escrito para quem não é técnico.
  • Uma bolsa de tempo pequena para alterações rápidas, com o limite escrito.

// o que fica de fora

E o que não deve entrar, por escrito.

A lista das exclusões protege os dois lados. É a secção que quase toda a gente omite por parecer negativa, e é a que evita mais discussões.

  • Desenvolvimento de funcionalidades novas. É projecto e orça-se à parte, senão a avença transforma-se num contrato de trabalho mal pago.
  • Criação de conteúdo. Escrever textos e tratar imagens é outro serviço e tem outro preço.
  • Recuperação de sites hackeados. É trabalho imprevisível em quantidade e em duração, e não cabe numa avença fixa.
  • O custo do alojamento, do domínio e das licenças. Ou é debitado ao cliente ao custo, ou é uma linha à parte — mas nunca escondido dentro da avença.
  • Trabalho fora de horas. Se queres garantir resposta ao sábado, isso é outro escalão e escreve-se como tal.

// perguntas

O que nos perguntam sobre isto.

Devo cobrar por site ou por carteira?

Por site, com desconto declarado a partir de um certo número. Cobrar por carteira parece simples e envenena a conversa no dia em que o cliente tira dois sites — porque a redução que ele espera nunca é a que faz sentido para ti. Um preço por site com escalões escritos evita essa negociação inteira.

E se o cliente disser que outro cobra metade?

Provavelmente cobra mesmo, e provavelmente não inclui as mesmas coisas. A resposta útil não é baixar — é pôr as duas propostas lado a lado, linha a linha, e deixar a diferença aparecer. Se depois disso ele preferir a outra, escolheu com informação, e isso é melhor para os dois.

Faz sentido ter um plano gratuito de manutenção para clientes de projecto?

Não, e é o erro mais caro que se comete no início. Manutenção oferecida cria a expectativa de que aquilo não custa nada, e depois torna-se impossível cobrar. Se queres oferecer alguma coisa, oferece os primeiros três meses com o preço escrito na factura a zero — assim o valor está à vista quando deixar de ser zero.

A parte da avença que ninguém vê acontecer.

A parte da avença que é mais difícil de justificar é a que ninguém vê acontecer. A De Olho vai vigiar os sites que geres a cada minuto, guardar cada incidente com hora de início e de fim, e gerar o relatório que transforma isso numa página que se anexa à factura. Abre em 2026 — e o histórico não vai expirar, precisamente porque é o registo antigo que serve quando um cliente pergunta pelo trimestre passado.

Ainda não dá para usar e ainda não temos preços — e não os vamos inventar. Quem estiver na lista de espera sabe primeiro e mantém o preço de lançamento enquanto a subscrição durar.