// uptime monitoring

Uptime monitoring: um pedido, um relógio e uma decisão difícil.

A parte técnica é trivial — um pedido HTTP de minuto a minuto e uma comparação. Tudo o que distingue uma ferramenta boa de uma má está à volta disso, e nada disso é o pedido.

// uptime monitoring Uptime monitoring é a prática de verificar automaticamente, a intervalos regulares e a partir de fora, se um site ou serviço responde como devia — e de avisar alguém quando deixa de responder.

Detectar que um servidor não responde é, tecnicamente, banal. Um pedido HTTP a cada minuto e um `if`. Não é aí que está a dificuldade, e é por isso que existem dezenas de ferramentas que fazem a parte fácil igualmente bem.

A dificuldade está nas decisões à volta. Quantas falhas seguidas contam antes de avisar alguém — porque uma ferramenta que grita a cada soluço da rede é uma ferramenta que se aprende a ignorar, e um alerta ignorado é pior do que alerta nenhum. Por onde é que o aviso chega, porque uma mensagem numa caixa de correio que se abre duas vezes por dia não é um alerta, é um registo histórico. E durante quanto tempo se guarda o que se mediu, porque o valor do registo aparece meses depois, quando alguém pergunta.

Há também a questão de onde se verifica. Um único ponto de observação é mais simples de explicar e menos completo: um problema de rota entre esse ponto e o teu servidor aparece como falha e não afecta mais ninguém. Vários pontos resolvem isso e trazem complexidade e custo. Quem verifica de um sítio só devia dizer de onde.

E há um limite que nenhuma ferramenta desta categoria ultrapassa: o pedido é feito de fora e vê o que está de fora. Um site que responde 200 com o checkout avariado por dentro conta como cem por cento disponível. É honesto dizer isto antes de prometer o contrário.

// o que distingue

Quatro decisões que separam ferramentas parecidas.

Nenhuma tem a ver com fazer o pedido. Todas têm a ver com o que se faz com a resposta.

  • O intervalo entre verificações

    Cinco minutos é o valor dos planos gratuitos e é uma janela onde cabe uma falha inteira. Um minuto custa cinco vezes mais infraestrutura e é a diferença entre saberes tu ou saber o cliente.

  • A confirmação antes do alerta

    Verificar outra vez antes de avisar troca alguns segundos de atraso por quase todos os falsos positivos. É a decisão que mais determina se o sistema continua a ser lido daqui a seis meses.

  • Por onde chega o aviso

    Email, Slack, webhook, SMS, chamada. Algumas ferramentas cobram pelo canal, o que é cobrar pelo momento em que o problema está a acontecer. Vale a pena ver o que está atrás de um escalão antes de escolher.

  • Quanto tempo dura o histórico

    Três meses é a norma dos planos gratuitos e é o critério que quase ninguém compara. É também o único que importa no dia em que um cliente pergunta o que aconteceu em Março.

// o que isto não é

E o que o termo não cobre.

Metade de uma definição útil é a fronteira. Estes quatro casos ficam de fora, e é onde as conversas costumam descarrilar.

  • Uptime monitoring não é observabilidade. Não há logs, não há traces, não há APM. Diz que houve falha e quando; o porquê está dentro do servidor.
  • Não vê o que está avariado por dentro. Um 200 com uma página partida conta como sucesso, e essa é a limitação estrutural desta categoria inteira.
  • Não executa JavaScript. Vê o que o servidor responde, não o que o browser desenha. Um site que carrega e rebenta no browser continua a contar como de pé.
  • Não impede falhas. Encurta-as. A diferença entre um incidente de cinco minutos e um de cinco horas é só quem estava a olhar — e é toda a proposta desta categoria de ferramentas.

// perguntas

O que nos perguntam sobre isto.

De quanto em quanto tempo se deve verificar um site?

Depende de quanto custa não saber. Para um site pessoal, cinco minutos é perfeitamente razoável e o intervalo mais curto seria uma funcionalidade paga sem uso. Para um site de cliente com avença, quatro minutos de atraso é tempo suficiente para ele reparar primeiro — e a partir daí a conversa deixa de ser sobre uptime.

Posso montar isto eu próprio?

Podes, e há software livre muito bom para isso. O erro clássico é instalá-lo no mesmo servidor que os sites que vigia: quando o servidor cai, cai também quem devia avisar-te. A segunda dificuldade é a mesma de sempre — quem vigia o vigia, e quem te avisa quando é ele que pára.

Verificar de vários pontos do mundo faz diferença?

Faz quando o problema é de rota ou de CDN mal configurada, e não faz nas outras vezes. Se os teus visitantes estão em Portugal, uma verificação a partir de Portugal descreve melhor a experiência deles do que uma a partir da Virgínia — e o que interessa mesmo é a ferramenta dizer de onde verifica em vez de o esconder.

Da definição para o número.

A De Olho é uptime monitoring e nada mais: verificação ao minuto a partir de um servidor em Portugal, confirmação antes do alerta, alertas em todos os canais sem escalões, e histórico que não expira nos planos pagos. Sem APM, sem logs, sem traces — isso é outro produto, resolvido por gente com muito mais equipa do que nós. Abre em 2026, e a verificação isolada já funciona hoje.

Entretanto, o "Está em baixo, ou és só tu?" faz a verificação uma vez, sem conta e sem custo. É a mesma verificação — o que falta é ela repetir-se sozinha.