// o que é uptime

O que é uptime: uma percentagem que esconde tudo o que interessa.

É a métrica que vai para o relatório e a que se percebe à primeira. Também é a que junta numa percentagem coisas que não deviam ser somadas — e é preciso saber o que ela apaga antes de a usar para provar seja o que for.

// uptime Uptime é a percentagem de tempo, num período definido, em que um site ou serviço respondeu como devia — o inverso exacto do downtime.

A conta é directa: o tempo total do período menos o tempo em falha, a dividir pelo tempo total. Num mês de 30 dias há 43 200 minutos; se o site esteve em baixo 43, teve 99,90% de uptime. Qualquer folha de cálculo faz isto. O difícil nunca é a divisão — é ter o registo dos 43 minutos.

A percentagem tem uma propriedade desagradável: comprime. Entre 99,5% e 99,9% há quase três horas de diferença por mês, e as duas parecem igualmente boas escritas ao lado uma da outra. É a razão pela qual um relatório com uma percentagem sozinha diz menos do que parece dizer, e é a razão pela qual o número deve vir sempre acompanhado dos minutos correspondentes.

Depois há o que a percentagem não distingue. Uma falha de 43 minutos numa segunda-feira de manhã, com um formulário de marcações inacessível, e 43 minutos espalhados por madrugadas de Agosto dão exactamente o mesmo número. Para o cliente que perdeu as marcações, não são remotamente a mesma coisa.

Por isso é que um relatório útil não tem uma percentagem — tem uma percentagem, a lista dos incidentes com as horas, e a duração de cada um. É mais trabalho de ler e é a única forma de a conversa a seguir ser sobre factos.

// o que muda o número

A mesma semana, quatro percentagens diferentes.

Duas ferramentas honestas podem dar números diferentes para o mesmo site no mesmo mês. A diferença está sempre numa destas quatro.

  • O intervalo de verificação

    De cinco em cinco minutos, uma falha de três minutos pode nunca chegar a existir. Ao minuto, existe. O site foi o mesmo — o que mudou foi a resolução com que se olhou para ele.

  • O que conta como resposta boa

    Só o 200? Também os redireccionamentos? E um 200 com uma página de erro dentro? Cada resposta a estas perguntas move a percentagem, e quase nunca estão escritas em lado nenhum.

  • As janelas de manutenção

    Uma migração combinada que não foi marcada como janela conta como incidente e estraga o mês. Marcá-la é a diferença entre um relatório que reflecte a realidade e um que pune o trabalho planeado.

  • O período de referência

    Uma falha de duas horas num mês dá 99,72%; a mesma falha num ano dá 99,98%. É o mesmo incidente e são dois números que contam histórias opostas. Um relatório sem período declarado não é um relatório.

// o que isto não é

E o que o termo não cobre.

Metade de uma definição útil é a fronteira. Estes quatro casos ficam de fora, e é onde as conversas costumam descarrilar.

  • Uptime não mede velocidade. Um site que responde em nove segundos conta como cem por cento disponível e está, para quem o visita, praticamente em baixo.
  • Uptime medido de fora não vê o interior. Se o servidor responde 200 e a área de clientes está avariada, a percentagem fica perfeita e está errada.
  • Uma percentagem alta não é prova de infraestrutura boa. Pode ser um mês com sorte. É preciso o histórico de vários meses para a percentagem começar a significar alguma coisa.
  • Uptime não substitui o registo dos incidentes. É o resumo. Quando alguém quiser mesmo saber o que aconteceu, o que serve são as horas e as durações.

// perguntas

O que nos perguntam sobre isto.

Qual é um bom valor de uptime?

Para um site de negócio alojado com competência, 99,9% é o patamar razoável — cerca de 43 minutos de falha por mês. Acima disso já exige infraestrutura desenhada para falhar bem, e prometer 99,99% num alojamento partilhado é prometer uma coisa que não está nas tuas mãos.

Como é que mostro uptime a um cliente que não é técnico?

Com a percentagem, os minutos equivalentes e a lista de incidentes com horas. A percentagem sozinha não diz nada a quem não a sabe converter, e "99,9%" e "43 minutos em baixo neste mês" são a mesma informação com efeitos muito diferentes na conversa.

Uptime e disponibilidade são a mesma coisa?

Na prática deste sector, sim, e usam-se indistintamente. Em contextos de infraestrutura mais formais, disponibilidade costuma incluir também o desempenho aceitável e não só o responder ou não responder — mas num relatório de manutenção de sites ninguém faz essa distinção.

Da definição para o número.

Um número de uptime só vale o registo que está por trás dele, e o registo só vale se durar mais do que o período sobre o qual alguém vai perguntar. A De Olho vai verificar ao minuto, guardar cada incidente com hora de início e de fim, e nos planos pagos o histórico não expira. Abre em 2026; até lá, a verificação isolada já dá para fazer.

Entretanto, o "Está em baixo, ou és só tu?" faz a verificação uma vez, sem conta e sem custo. É a mesma verificação — o que falta é ela repetir-se sozinha.